Entre soluços e suspiros ouço a cabeça a latejar
Como quem perde os sentidos, sinto-me fraquejar
Não sei se deva pensar ou perder-me nos bons momentos
Não sei se guarde as memórias ou lhe retire fragmentos
Quanto mais longe o tempo me leva, mais perto sinto que estou
Como um doente terminal cujo estado piorou
Gostava de ter tropeçado sem cair no labirinto
Mostrar a todos os que amo, o que realmente sinto
Não minto mas escondo os meus maiores pesadelos
Sinto-me mal ao lembrá-los, pessimamente em dizê-los
Procuro uma solução, um canto onde possa guardar
Qualquer má reacção cada vez que tenha de enfrentar
Procurar culpados ou culpar-me de nada me ajuda
E a cada novo pensamento a dor fica mais aguda
Fugir deste mal-estar iria provocar mais dano
Seria como utilizar um pano para esconder uma fractura
Poderia sobreviver mas perdia a compostura
Insano é ter um plano para ultrapassar tamanho trauma
Sei que nunca vou esquecer um passado que me espalma
Contra factos que de tão reais ainda me fazem vacilar
Quando depois de ser bem-vinda eu devia confiar.
(...)

Sem comentários:
Enviar um comentário