Eles caem que nem patinhos no decote acentuado
Vêm com ar de meninos a pedir um rebuçado
Andam pelas noites à caça da sua Bela Adormecida
E ela dá-se por rendida em troca de boa vida
“- Só quero ver a saída desse vestido apertado”
O corpo faz do intelecto um lugar censurado
Basta um olhar, um sorriso, e eles dão-te o que quiseres
Vejo-os a subir de piso com a palavra “mulheres”
Elas preferem vender-se do que terem dignidade
Não querem comprometer-se com um amor de verdade
O bolso cheio as persuade a dar-se a qualquer idiota
E pela magia do baton quantos caem na bancarrota
É uma anedota que não faz rir, antes prefiro chorar
Ver a moral a cair sem que a possa segurar
Não me confundas, sou mulher mas não me vendo por nada
Posso estar no meio delas mas tenho a testa marcada
Melhor do que o meu decote é o pacote interior
O pensamento é o meu forte, o delas cria bolor
Recomendo-te que ouças o que tenho para dizer
Quanto mais fechares os olhos melhor me consegues ver
Mas se as preferes, põe-te a mexer, não me faças perder tempo
E aproveita o momento desse encontro-passatempo
Porque quando a Bela acordar e não couber mais no vestido
Vou-me rir e tu vais chorar como um menino perdido.