segunda-feira, 7 de junho de 2010

Há lado aí?



Hoje lembrámos os momentos que contigo passámos
Sentados no café falámos do que vivemos há anos
Tinhas o dom de iluminar qualquer chão que pisasses
Porque foste assim partir? Queríamos tanto que ficasses
Que não deixasses à deriva esta saudade traiçoeira
Nunca pensamos ter de lembrar-te desta maneira
O que é feito de ti? És uma estrela do céu?
-“Lamento muito mas tens de perceber que ele morreu”
Vem buscar o que é teu, respira para nós de novo
Traz a paz e a alegria que transmitias a este teu povo
Sai desse lado. Há lado aí?
Tira o bilhete e vem tirar-me o tempo que sem ti vivi
Ainda me lembro dos recados em guardanapos rasgados
Que oferecias às meninas dos lábios rosa-encarnados
Quando te rias da falta de jeito das minhas gargalhadas
E das nossas discussões pelas palavras cruzadas
Mal eu sabia que o teu bem-estar era só fachada
Sozinho de porta trancada mantinhas a alma algemada
Perdoa-me não ter reparado naquele teu olhar fechado
Por não ter sequer notado que entravas no lado errado
Aqui sentada, escrevo e imagino o teu desespero
De quem um dia viu a vida a entrar num buraco negro
Se voltar a encontrar-te dá-me um abraço apertado
E promete-me que não voltas a partir para outro lado.

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