sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

“-Eu confesso!”

Ele matou, implorou que não fosse de cana. Gritou e, de repente, sentiu-se a cair da cama. Foi só um pesadelo, um mau presságio, talvez, mas já pensou em fazê-lo, só ainda não foi desta vez. Farta-se de não ser bem-vindo, trabalha como um escravo, chega a casa e sai ouvindo: “não passas de mais um coitado”. Lembra-se dos dias felizes mas já nem isso o segura, ninguém vive de cicatrizes que o tempo não cura. Passa o dia, a noite vem, e ele encontra uma saída, a droga que o fez refém levou-lhe de vez a vida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010




"Leone, 16 anos já é um grande mérito, podes morrer descansado."




*just kidding ahahaha

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sentado no sofá vês as guerras que vão crescendo
Todas têm alvará no bolso do reverendo
São confrontos, injustiças, mentes a morrer de fome
O ditado mudou de tom, é: “quem não rouba, não come”
A sangre frio, famílias são chacinadas sem razão
Crianças brincam na rua com duas pedras na mão
É a devastação total dos conceitos morais
Mentira e corrupção em dimensões colossais
E tu sentado no sofá pensas não ter outra escolha
Senão esperar tranquilo que o sistema te faça a folha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

domingo, 17 de janeiro de 2010



As ondas embatem com toda a sua força nas rochas. É o mar diante de mim, com o seu poder tão perfeito, com a sua simplicidade tão inexplicávelmente bela.
Ao longe, um vulto. Alguém sentado nas rochas. Alguém, talvez, absolutamente estarrecido com tal sublime paz.

Sento-me ao lado dela. Tem mais de o dobro da minha vida e a face marcada de tantas recordações. Estão dois cães ao seu lado, deitados, sossegados, como quem vivesse no meio das rochas desde sempre.
Tem o olhar distante. As mãos entrelaçadas e os ombros caídos revelam-me a saudade. Está tão ausente. Os olhos dela absorvem o momento como quem nunca mais vai estar naquele lugar, ou como se a paisagem amanhã não fosse a mesma. Como quem quer decorar cada traço, cada movimento, cada ruído, cada transformação.
Parece estar isolada do mundo. Tão concentrada nos seus pensamentos olha para o horizonte como se lhe devolvesse o passado. Eu sei que a sua postura tem nome. Alguém, alguém que partiu, ou alguém que sem partir, lhe deixou menos que nada. Noto-lhe as mãos gastas, suadas. No rosto, as rugas da tristeza, as feições mal contidas de uma vida a meio fôlego.
De vez em quando, desentrelaça as mãos e leva a direita ao peito. Agarra um pêndulo. Uma fotografia a preto e branco, parece antiga, e gasta. Gasta. G-a-s-t-a. Ou pelo tempo que lhe passou, ou pela mão dela, salgada pelo vento.

Sinto os meus olhos aguados. Ela faz-me temer. E tremer.
Ela traz ao peito uma saudade. E eu trago uma saudade que não me cabe no peito.

sábado, 16 de janeiro de 2010

=) Obrigada, amizade!


"Quando eu acho que não vai dar mais certo
Você vem e senta um pouco mais perto..."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

1/10 de mim


Gosto. Gosto do cheiro a canela com leite. Gosto de álbuns de fotografia. Gosto de olhos e de mãos. Gosto de música. Gosto de fado. Gosto de poesia. Gosto da imensidão do mar. Gosto dos fins de tarde e do calor. Gosto de vestidos. Gosto da sensação da areia molhada no corpo. Gosto de praia. Gosto de janelas. Gosto de olhares cúmplices. Gosto de crianças. Gosto de honestidade. Gosto de atenção. Gosto de frutas com chocolate. Gosto do arco-íris. Gosto de sombras. Gosto da primavera. Gosto do cheiro da manhã. Gosto de cozinhar. Gosto da estabilidade. Gosto de recordar. Gosto de conversas sinceras. Gosto de abraços. Gosto do chuveiro. Gosto de velas. Gosto de aprender. Gosto de perdoar. Gosto de paz. Gosto de estar sozinha. Gosto de ouvir. Gosto de melhorar. Gosto de pêssegos e morangos. Gosto de amendoins e biscoitos de manteiga. Gosto de conhecer pessoas. Gosto de jardins. Gosto de teatro. Gosto de pessoas com humor. Gosto de gestos simples. Gosto do escuro. Gosto de rir. Gosto dos reflexos na água. Gosto da lua. Gosto de montanhas. Gosto da cor da vida ao sol. Gosto de me sentir bem-vinda. Gosto de observar. Gosto de chegar a casa. Gosto de natas. Gosto de incenso. Gosto de fazer as pazes. Gosto de pessoas simples. Gosto de estrelas. Gosto de dar espaço. Gosto de acordar a meio da noite e voltar a adormecer. Gosto de confiar. Gosto de simetria. Gosto da verdade. Gosto de ver o Leone (cão) dormir. Gosto de espaços pequenos e acolhedores. Gosto de almofadas. Gosto de jarras com flores. Gosto de abrir as janelas. Gosto do cheiro do verão. Gosto do sol na pele. Gosto da amizade. Gosto de partilhar. Gosto de viver. Gosto de parar para pensar. Gosto de mimos nos pulsos e nas mãos. Gosto de agradecer. Gosto de me divertir. Gosto de me sentir útil. Gosto de leds de cor azul. Gosto de anéis. Gosto de lábios. Gosto da minha família. Gosto de gostar dele.

Tenho a mania de: “Ler” as pessoas. Ser teimosa. Reparar no que mais ninguém vê. Andar em pijama. Aumentar o volume. Limpezas. Mexer no cabelo. Pensar 10 vezes antes de. Inferiorizar-me. Descer as persianas. Perder guarda-chuvas. Andar a pé. Estar em casa. Não me dar a conhecer. Ser sensível. Ter pena. Escrever palavras soltas. Deitar-me no sofá. Endireitar quadros. Pôr ganchos no cabelo. Faltar às aulas. Ser do contra. Beber água antes de ir dormir. Empurrar a porta de casa depois de a fechar. Ver televisão com o comando na mão. Pintar as unhas. Tirar as coisas do sítio. Golas altas no inverno. Comer com o garfo na mão direita. Preocupar-me. Ser crítica. Perfeccionista. Tentar mudar as pessoas. Esconder sentimentos. Tirar conclusões. Comparar. Supor. Dormir com o telemóvel debaixo da almofada. Pôr creme nas pernas. Ver a meteorologia todos os dias. Apegar-me aos lugares. Lamber os lábios. Imaginar o futuro. Chamar a minha mãe pelo nome. Cantar na cozinha. Mudar o nick do msn. Ligar a aparelhagem só porque sim. Não saber do telemóvel. Ouvir música no youtube. Dormir com a cabeça nos pés da cama. Perder documentos. Desenhar na última página dos cadernos. Ouvir música enquanto arrumo a casa. Imaginar o que os outros estão a pensar. Olhar para a boca das pessoas enquanto elas falam. Deitar lixívia em tudo. Procurar defeitos. Passar a mão nos móveis. Falar sozinha. Me afastar. Dormir de meias. Não adormecer se a televisão estiver apagada. Resmungar com o Leone. Pedir que me puxem os braços. Deixar a pen no computador. Não acabar de ler os livros. Falar com o olhar. Escrever e deitar fora.

Não gosto de mentiras. Não gosto de me sentir pressionada. Não gosto de conversas que ficam por terminar. Não gosto que não se despeçam. Não gosto que me olhem de lado. Não gosto que me critiquem. Não gosto que me respondam “porque sim”. Não gosto de chuva. Não gosto de dormir até tarde. Não gosto de intrigas. Não gosto de pessoas vazias. Não gosto de palavrões. Não gosto da mesquinhez. Não gosto que me controlem. Não gosto de discussões nem de tons de voz exagerados. Não gosto de ter medo. Não gosto de exageros. Não gosto de café. Não gosto de sujidade. Não gosto de me esquecer. Não gosto de maus vícios. Não gosto de ser ansiosa. Não gosto de piropos. Não gosto de nevoeiro. Não gosto de escaldões. Não gosto de aviões. Não gosto de me irritar. Não gosto de formigas. Não gosto de me arrepiar. Não gosto quando não me ouvem. Não gosto quando querem saber de mais. Não gosto quando insistem. Não gosto de sentir frio. Não gosto do papel de jornal. Não gosto de etiqueta. Não gosto da inveja. Não gosto de me sentir excluída. Não gosto de saber mais das pessoas do que aquilo que elas pensam. Não gosto de estalar os dedos. Não gosto de acordar sobressaltada. Não gosto de restaurantes. Não gosto de ser obrigada. Não gosto de encontrar marcas no corpo. Não gosto de mudanças constantes. Não gosto de não perceber. Não gosto que me peçam desculpa por tudo e por nada. Não gosto de ficar calada quando tenho coisas para dizer. Não gosto quando pensam que me conhecem. Não gosto de circo. Não gosto da minha letra. Não gosto de falhar. Não gosto de comer no cinema. Não gosto que fixem o olhar em mim. Não gosto que me comparem. Não gosto que me tentem convencer. Não gosto de ser influenciada. Não gosto que tirem as minhas coisas do sítio. Não gosto de beliches. Não gosto de guardar nada nos bolsos. Não gosto de salas de espera. Não gosto quando me perguntam se está tudo bem e não esperam pela resposta. Não gosto de me sentir enganada. Não gosto de elevadores. Não gosto da sensação de que guardo pessoas no lugar errado. Não gosto de desiludir. Não gosto quando não desempenham o seu papel. Não gosto quando os meus olhos me traem. Não gosto quando me ignoram. Não gosto de violência. Não gosto quando é a pessoa errada a fazer aquilo que é certo.

sábado, 2 de janeiro de 2010