domingo, 28 de fevereiro de 2010


- Queria tanto ser princesa...
- Para quê?
- Para poder voar.
- As princesas não voam!
- Faz de conta.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Texto antigo =`)

Trago a cruz sempre no bolso. Sempre no bolso uma história interrompida. Estava sol, o chão quente, e tu, de mãos fechadas, a segurar a nossa história. Agora interrompida. No bolso. No bolso a carrego para todo o lado, nas minhas mãos, apertadas, seguro-a junto à saudade. Que vem. Vem e teima em ficar junto de um pedaço de memória lúcida que me cega o caminho. Hoje está tanto frio aqui. Tenho o pijama colado ao corpo de tanta ansiedade e insónias. O cabelo desgrenhado e covas negras no lugar dos olhos. E tenho, tenho o olhar preso ao texto que lhe dedica. A ela. Está feliz. Essa felicidade que me mata porque pago por ela. Melhor assim. Mania a minha de pensar pelos outros. Forçar a saída de um corpo desejado. Gosto de o ver feliz mas odeio-a por isso. Não consigo mais. Ontem estive lá, no lugar onde escolhi viver a história. Agora interrompida. Acabada não. Nunca. O que vive dentro de nós morre connosco. Não morri. Ainda sinto o peso dos dias ausentes e a dor cansada no olhar distante. Ontem estive lá e estavas lá. E eu vi e decorei as tuas mãos fechadas, a segurar a nossa história. Tiro-a do bolso sempre que me deito, e adormece comigo junto da almofada. A nossa história interrompida. Acabada não. Nunca. Repito as palavras e não me canso. És tu nelas. Tu em tudo. Tu repetido pelos cantos das ruas onde passámos. Tu nas noites e nos dias. Tu na minha falta de sono. No meu pesadelo. Na minha culpa. Tu na nossa história interrompida. Acabada não. Nunca.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mãe


Vens sempre com o sorriso ao colo de um olhar que me vê ainda menina. Trazes o gosto a dias felizes e sol de primavera por entre as frestas de uma vida inteira. Dás-me a eterna satisfação de um coração atolhado de laços e ternuras desmedidas. “-Amo-te tanto.” E as palavras condensam-se num só gesto, um abraço destinado a renascer cada segundo, rendido aos pés de um amor interminável.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sinto-me a enlouquecer, estou farta das suas jogadas
Faz tudo pra me ver perder, dá as cartas mal baralhadas
Nunca contei a ninguém o jogo das suas acções
Avança colada a mim, ganha espaço com encontrões
Diz palavrões, quer competir, talvez chegar-me aos calcanhares
E um dia vai cair como de um prédio de dez andares
Ele não é um troféu, abranda o passo e faz-te à vida
E para onde quer que vás, leva só bilhete de ida.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Rastejas para o abismo por não veres outra saída, segues todos os sinais de uma postura rendida. Não sabes para onde vais, ouves quem te quer matar, o lenço que te dão para as lágrimas é arma pronta a sufocar. Não duvidas de uma palavra e entras no nevoeiro, e ao som de uma balada levas um tiro certeiro.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Se eu pudesse (8)




"Se eu pudesse ser diferente e mudar por ti
ser o que mereces e manter-me assim
trocar a vida que tenho pela que desejas
e não te encher de lágrimas quando me beijas
ser o teu poeta, o momento que mais sentiste
o teu mais que tudo, quando tudo o resto é triste
Se eu pudesse, era tudo como preferes
mas eu não posso ser tudo aquilo que queres..."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


When the day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes

Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on

'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Felicidade!






"Não avalies os bens e os males segundo o critério do vulgo: deves verificar, não donde eles provêm, mas sim para que fim tendem. Tudo o que possa contribuir para a obtenção de uma vida feliz será um bem de pleno direito, já que não pode degradar-se até tornar-se um mal.
Toda a gente, contudo, ambiciona ter uma vida feliz; porque sucede então que quase todos falham o alvo? Pelo facto de se tornar por felicidade o que não passa de um meio para atingir; por isso, quanto mais a buscam, mais dela se afastam. O cúmulo da felicidade consiste numa perfeita segurança, numa inabalável confiança no seu valor; ora o que as pessoas fazem é arranjar motivos de preocupação, é percorrer a traiçoeira estrada da vida ajoujadas de pesados fardos. Deste modo vão-se sempre distanciando cada vez mais da meta que procuram alcançar, e quanto mais se esforçam por atingi-la mais se embaraçam e retrocedem. Sucede-lhes como a alguém que corra num labirinto: a própria velocidade faz perder o norte."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As tais coisas simples




A cabeça lateja sob as mãos trémulas. O cansaço e o stress fazem o corpo balançar entre a loucura e o desespero. De repente, uma mensagem. Afinal não estou sozinha! =`)



ps. eu sei, eu sei que há coisas que não se agradecem "pk agradecer rouba-lhes o significado",não é assim? ^^

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010




Não lhe digas que esgotei a sala e que caí no chão mal a cortina se fechou. Não lhe digas que respirei o pó do soalho velho, e que adormeci abraçada ao seu deserto, mal a porta se encostou.
Diz-lhe que só o sorriso me despe a saudade e o cansaço dos sonhos sobressaltados. Ensina-o a escutar-me a alma no silêncio da carne, porque existir é um lugar improvável e não há mais lugar quando adormeço.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010



Ela diz que sempre que fecho uma porta, parece que como espinafres.

- Foi assim que te ensinei?
- Foi a vida.
- Foi a vida, o quê?
- Nada. Foi a vida.
Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, e não um objecto - tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo. Aqueles que não amamos nem odiamos são nítidos como uma pedra. Sentir neles uma pessoa é começar a amar ou a odiá-los. Só amamos ou odiamos quem é vivo para nós.





Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'