segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Texto antigo =`)
Trago a cruz sempre no bolso. Sempre no bolso uma história interrompida. Estava sol, o chão quente, e tu, de mãos fechadas, a segurar a nossa história. Agora interrompida. No bolso. No bolso a carrego para todo o lado, nas minhas mãos, apertadas, seguro-a junto à saudade. Que vem. Vem e teima em ficar junto de um pedaço de memória lúcida que me cega o caminho. Hoje está tanto frio aqui. Tenho o pijama colado ao corpo de tanta ansiedade e insónias. O cabelo desgrenhado e covas negras no lugar dos olhos. E tenho, tenho o olhar preso ao texto que lhe dedica. A ela. Está feliz. Essa felicidade que me mata porque pago por ela. Melhor assim. Mania a minha de pensar pelos outros. Forçar a saída de um corpo desejado. Gosto de o ver feliz mas odeio-a por isso. Não consigo mais. Ontem estive lá, no lugar onde escolhi viver a história. Agora interrompida. Acabada não. Nunca. O que vive dentro de nós morre connosco. Não morri. Ainda sinto o peso dos dias ausentes e a dor cansada no olhar distante. Ontem estive lá e estavas lá. E eu vi e decorei as tuas mãos fechadas, a segurar a nossa história. Tiro-a do bolso sempre que me deito, e adormece comigo junto da almofada. A nossa história interrompida. Acabada não. Nunca. Repito as palavras e não me canso. És tu nelas. Tu em tudo. Tu repetido pelos cantos das ruas onde passámos. Tu nas noites e nos dias. Tu na minha falta de sono. No meu pesadelo. Na minha culpa. Tu na nossa história interrompida. Acabada não. Nunca.
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