Nunca pensei chegar onde cheguei
As minhas lutas diárias são tantas, que já nem sei
Porque é que ainda aqui estou, porque ainda respiro
Sinto o que de mim restou se repetir contra o tiro
Adormeço a pedir que seja o fim, que tudo acabe
Mas amanhece e acordo contra minha vontade
A cada dia que passa, o desafio é maior
Tem asas feitas de desgraça o meu anjo protector
O corpo de tão dorido parece querer quebrar
Deixo-o cair sem sentido sempre no mesmo lugar
Custa-me tanto passar para além da porta da rua
As faces do meu mal-estar são mais que as faces da lua
E não recua, não tenho paz, tropeço todos os dias
Numa ilusão que se desfaz e que me traz avarias
Quase irreconhecível, fito no espelho o meu reflexo
Como um som analfabeto de palavras sem qualquer nexo
Tu ficarias perplexo se visses o interior
Deste eu que já não conheço, feito de um pó ditador
O que é feito da alegria no sorriso sincero?
Pr`onde fugiu a magia do mundo que já não quero?
Desespero na solidão, afasto quem quer ficar
Basta um aperto de mão e sinto a falta do ar
Todos ficam a lamentar o que foi feito do ser de outrora
E pra não me verem chorar, afasto-me e vou embora.
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