quarta-feira, 25 de março de 2009

In(diferença)

O mundo vai acabando, o ódio mata gerações
A vida foge com o tempo, e o tempo traz desilusões
O ser humano complica, a natureza é afectada
Enquanto a guerra multiplica os que morrem na calçada
Na estrada, a adrenalina é assassina
E o povo fala do destino, o povo menciona a sina
Que vergonha, fugir da culpa a sete pés
Repetimos os fracassos, vem a asneira outra vez
Não vês? Podias viver melhor
Tu não percebes que tudo tens a favor
Larga a ganância, o que tens é suficiente
Se abrisses a pestana já te davas por contente
Tudo é diferente se usamos óculos escuros
Interessa proteger a vista e sentirmo-nos seguros
Mas do outro lado, para muitos nada adianta
A fome pesa na barriga e a dor aperta na garganta
Não te queixes, és um privilegiado
Estudas, tens uma família e um bom futuro comprado
Não dormes ao som das armas, não sais à rua com medo
Acordas às 9 da manhã e mesmo assim achas cedo
Queres sempre mais, sonhas com muito melhor
Só olhas pro teu umbigo, não queres saber do redor
E o amor? E a compaixão pelos demais?
És indiferente à desgraça, assim como entras, sais
Eu falo, critico, mas não sou melhor que vocês
Não valorizo a abundância, ignoro a escassez
Sempre achei que pouco posso fazer
E não me privo de nada, nem respeito sei ter
Pela pobreza, pelos caus do nosso planeta
Há quem prometa, melhorar a situação
E com essas juras de treta ganham mais um milhão
Que confusão, onde o mundo se foi meter
Num dia dão-nos a mão, pra noutro com a mão nos bater
Não mais esquecerei as faces que já vi chorar
Nunca pensei como a desordem pode um dia terminar
Mas acredito que tudo isto vai ficar ainda pior
Até ao dia da chegada do chamado "Criador".

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