terça-feira, 24 de março de 2009

A outra face

Mais um dia de rotina, mais um passo na viagem
Ja são 7 da matina e vejo ao espelho a minha imagem
passo os dedos no cabelo, visto uma roupa ao acaso
sinto que vai ser de novo mais um dia em que me atraso
Abro a porta e sinto o ar pesado, enevoado
Por muitas faces anónimas que vivem a olhar de lado
Não me importo, sigo em frente e afasto-me dos olhares
Não reparas mas odeio as atitudes vulgares
Passam por mim com aquelas poses, com toda aquela falsidade
Pra não ser contaminada aumento a velocidade
Entro na escola e cumprimento as pessoas do costume
Já estou perto da sala e sinto elevar-se o volume
Um grupo no canto direito está em grande algazarra
As bocas soltam ironias, e há alguém que me desgarra
Eu não quero entrar na farra mas posso dar opinião
“O vosso problema está no excesso de ambição”
Idolatram-se e sugerem ser melhor do que alguém
Desfilam nos corredores, mas não passam de reféns
Da moda, dos contratos, do prazer a curto prazo
Dos piropos, da fortuna, da ilusão ao acaso
Vivem no cimo de altares, querem ser estátuas sagradas
Sentem-se raínhas, vivem num conto de fadas
São desgraçadas, trocam a vida por milhões,
grandes carros e mansões
e não há ninguém que note que os pais trabalham prás meninas
exibirem o decote
De saltos altos e com o rei na barriga
Não te iludas com a beleza, a tua alma é mendiga
Olhas outras de alto a baixo, riste em tom de cinderela
A tua aparência suporta-se, pena o que o coração revela
Não te dou trela, não curto a tua forma de estar
O único uso que te dou é a inspiração pra rimar
Acordas sempre a pensar no que é que vais vestir
E eu acordo a imaginar quantas vezes vou sorrir
Quantas vezes passar ao lado e pena de ti sentir
Por não simplificares a vida, por sonhares demasiado
Por não saberes que o caminho às vezes fica apertado
E no final, o teu tesouro vai estar cheio de porcarias
Que não te vão ajudar a viver os piores dias.

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