Não escrevi nenhum poema, não preenchi nenhum papel como é meu costume, nem tão pouco escrevi palavras soltas numa folha ao acaso do caderno de Ciências.
Hoje apetece-me escrever só para ti! Sim, tu que vens sempre devorar os meus posts e me acusas de te deixar saudade e soluços nos olhos (sorriso babado).
Apetece-me escrever da mesma maneira como te falo quando estou contigo.
Escrever como se estivesses aqui ao meu lado, e contar-te compulsivamente o meu dia, como estou, o que aconteceu.
Apetece-me mesmo escrever a pensar que já estás a ler. Ouvir-te perguntar se está tudo bem (sem que me respondas “Que resposta é essa? Bem?”) xD
Desabafar meia dúzia de suspiros, dar duas gargalhadas e renovar o tempo.
As pessoas andam numa correria... A vida chega a distrair-nos tanto que respiramos num frenezim agitado, acordamos a rezar para que o dia acabe e nem sempre ou quase nunca, (prefiro a primeira), temos tempo para parar e ouvir, ajudar ou apoiar alguém que precisa. Ou até precise de nós apenas para estarmos sentados, lado a lado, a conversar e rir de coisas banais.
Nem sempre ou quase nunca podemos abrandar o ritmo e ir dar uma volta com um amigo que encontramos na rua por acaso.
Nem sempre ou quase nunca podemos tirar uma tarde livre para estarmos na companhia de alguém que tem significado para nós.
Nem sempre ou quase nunca pegamos no telefone para falar com alguém que já não vemos há algum tempo.
Nem sempre ou quase nunca esperamos ouvir a resposta quando perguntamos se está tudo bem.
Nem sempre ou quase nunca dizemos às pessoas o quanto gostamos delas e o quanto são importantes.
Nem sempre nos apercebemos que alguém ficou magoado com alguma palavra ou atitude.
Nem sempre reparamos quando precisam de um pouco mais da nossa atenção.
Quase nunca temos tempo para perceber que estamos a andar rápido demais.
Escrevo-te isto em tom de desabafo e desespero, talvez porque hoje abrandei o passo e não vi ninguém ao meu lado... talvez por andarem todos numa corrida alucinante contra o tempo.
Dei por mim a pensar por quantas pessoas que abrandaram eu também já passei a correr, e nem reparei que precisavam de alguma palavra amiga, ou ter apenas companhia num qualquer momento. De quantas pessoas já me despedi e as deixei com algo por dizer.
Ao escrever aquelas frases, elas evoluiram do “nunca podemos” para “nunca + fazer qualquer coisa”, porque penso que chegamos a um ponto que não é o “não poder”. Simplesmente deixamos de o fazer. Porque não apetece, ou porque estamos cansados, ou andamos cheios de stress, ou porque ... sei lá, porque sim.
Enquanto corria a cidade e apreciava as multidões deparei-me com todos estes pensamentos. Reparei como as pessoas andam a passos largos, como os amigos se cumprimentam velozmente, como as mães arrastam as crianças porque estão atrasadas ou têm pressa.
Vi olhos cansados, posturas saturadas, caminhadas exaustas. E num momento apeteceu-me parar tudo. Não conseguiria fazê-lo, mas pelo menos parei eu e parou a minha vida. Tanto é que, cheia de trabalhos, cheia de responsabilidades, cheia de tormentas, parei agora para te falar do meu dia, porque sei que vais também parar para ler isto. =)
Ps: seria de grande valor também parar para dizer que te adoro, que és importante para mim, e agradacer-te todos os momentos em que paramos! ^^
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