segunda-feira, 4 de maio de 2009

Às vezes eles falam... e eu sorrio... e eu minto.

E por vezes ao calarem só me apetece calar também o que sinto.
Os meus segredos escondem aquilo que não suporto ouvir
e eles falam sem saber, falam sem sentir.
E isso cansa-me.
Eu quero cores e rebuçados e eles dão-me doces estragados.
Quantas vezes quero gritar para não os ouvir falar mas desisto.
Porque eu sei que o silêncio deles é mais alto, eu sei e não insisto.
As palavras entranham-se como uma nódoa negra
e eu decoro-as, como uma regra.
Controlam-me e fazem-me suar de cansaço, fazem-me tremer de raiva delas.
Calem as histórias, abram as janelas.
Deixa-me respirar respirar respirar,
respirar até ficar com excesso de ar.
O silêncio calado é abafado e esmaga-me contra o vidro.
Será castigo?
O medo isola-me a expressão,
os segredos controlam-me e calam o coração.
Eles... não suporto “eles”.
Não me obriguem a ouvir e esconder a cara
porque esta ferida não sara.
Já vos disse que me doem?
Perdi o livro e eles escreveram nas minhas linhas,
e agora por entrelinhas cegam-me as não minhas.
Perdi o dom de escrever nessas folhas gastas por eles,
vêm com impressões e suspiros,
vêm com chuva e ventos frios.
Calafrios.
Não quero que me dites mais esse livro porque não o suporto,
“eu e eles” sabe-me a mofo, a vidro quebrado num dia tempestuoso.
Mas só sussurro e eles não percebem os meus gestos porque escondo o que sinto.

Às vezes eles falam... e eu sorrio... e eu minto.

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