sábado, 23 de maio de 2009

Não me acordes amanhã...




Deito-me com o sabor amargo de segredos na boca.
Os olhos escurecem na noite e acordo sonhos malabaristas que me reanimam a memória num verbo desassossegado.
A porta entre-aberta convida-o a entrar e com ele, um tornado de suspiros.
Conto os passos, ouço o gemido do chão pisado e fecho os olhos embalados no compasso do seu caminho.
Fujo sempre dos vidros que tem nos braços e finjo dormir, agarrada à noite.
A porta chora com a intrusão do vento, húmido e desequilibrado, que lhe acompanha as passadas e o respirar apressado.
Sem tropeçar, ele sempre vem saber das vírgulas dos meus lençóis e eu temo a sua presença no silêncio de olhares alheios.
Estou farta dos pesadelos pendurados na almofada.

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