Sente nos pés decalços, acostumados, a areia fina e morna que lhe suaviza o andar leve e sereno. O vestido cor de céu embrulha-lhe os movimentos como quem agarra a saudade num álbum de recordações.
O cabelo comprido e ondulado balança no ar ao som do vento, e no olhar dela a paisagem encontra o sossego de uma duna adormecida.
O seu sorriso prazeiroso revela ao mar o coração, e as ondas num movimento fugaz levam-lhe os segredos que guarda num abraço.
Senta-se na areia deixando que o mar se atreva a molhar-lhe a baínha do vestido, e aprecia em gestos de criança o reflexo do sol nas gotas de água que lhe decoram a pele.
Segura com as mãos, pequenas porções de grãos de areia que lhe caem por entre os dedos. Lembra-se de como a vida, tal como os grãos que agora lhe moldam as mãos, lhe foge impiedosamente, se a apertar demais, ou se quase não a segurar. E assim como a vida, também o amor, a amizade, os prazeres. Tudo nas suas mãos, à espera da força certa, como quem carrega nos braços um bebé de sono frágil.
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