segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ele fala dela como quem conta o dia mais feliz da sua vida.
Teresa morreu-lhe nos braços depois de uma luta incansável contra um cancro de mama que se alastrou a outros órgãos do organismo. Era alegre, vivaz, apaixonada pela vida. Tinha em si a beleza triunfante de um coração enorme. Doce, generosa, lutadora. Não a cheguei a conhecer pessoalmente, mas ele carrega-a intacta no sentimento, na memória e no anel que mexe e remexe enquanto a descreve carinhosamente.
Gosto de o ouvir. Sento-me de frente para ele e acompanho, deliciada, cada postura a que as recordações o obrigam.
Hoje vim visitá-lo. É incrível como Teresa vive em cada canto da casa… está tudo intacto. A decoração, os cheiros, os perfumes e os colares na cómoda do quarto. Ao sábado, ele colhe sete margaridas brancas que põe, cuidadosamente, no jarro da mesa de centro da sala de estar, tal como Teresa fazia.
Agora, de pé, encostado à ombreira da porta da cozinha que dá para o exterior, observa vagarosamente o “jardim da Teresa”. Desvia o olhar para a fotografia que segura, como quem a devora. Exerce tanta força nela que parece ter medo que se desfaça por entre os dedos. Respira fundo de olhos bem cerrados e deixa cair uma lágrima que inunda a face de Teresa na fotografia. E num tom de voz absurdamente sossegado, volta-se e diz-me:

“Sabes, às vezes é quando as pessoas morrem que nunca mais deixam de existir.”

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