Não me desfaço em continências, fico com o melhor pedaço
Nem vivo só de aparências, cada linha pode ser traço
Num abraço sou ferro e aço, tenho até olhos nas costas
E quando me vens com propostas eu parto para as apostas
Possuis as raízes expostas, não gostas quando te atiro à cara
Que tens o ego enaltecido por uma doença rara
Que não sara, não vai embora, faz de ti mais do que escravo
Subjugado ao seu poder, domado pela sua lei infinita
De erros crassos e fracassos de uma vivência restrita
Que imita o caos, faz-te falhar em cada atitude fria
Mostras nos passos a imperfeição dessa alma vazia
Que vida é essa, que respiras em pó branco, disfarçada
Que vendes em doses às vidas que caem nessa jogada
Cresces e apareces nos bairros desnorteados
Fazes cair no buraco até os mais preparados
Enches os bolsos com a miséria dos viciados na rotina
E as crianças saem da escola para aprender esta doutrina
São os meninos dos recados, do paraíso alucinado
Compram como quem vai ao pão a um qualquer supermercado
E há os dias de promoção em que fazem o sacrifício
Dão-te a inocência em troca de dez gramas de vício
Em casa não há pão na mesa, comem no lixo da rua
Não há quem se chegue à frente, a polícia não actua
E a desgraça continua, a calamidade aumenta
Já ouço chegar a guerra que, se não entra, rebenta!
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