Adeus oh casa velhinha
Quarto de mil cores pintado
Que abrigaste esta menina
Sonhadora e pequenina
A quem ensinaste o fado
Adeus baloiço amigo
Tu que foste meu abrigo
Nas horas de solidão
Adeus infantário antigo
E adeus aos que iam comigo
Sempre unidos pela mão
Adeus colo aconchegante
Tanto me ensinaste a amar
E àquela que por instante
Partiu, ficou tão distante
Nunca mais a vi voltar
Adeus passeio estreito
Das brincadeiras vadias
Adeus sonho tão perfeito
Que me saltava do peito
Que me preenchia os dias
Adeus infância tão leve
Foste na vida tão breve
Que só me resta a saudade
Vives nas fotografias
Onde revejo os meus dias
De alegria e mocidade
Adeus olhares indiscretos
Adeus amor e afectos
De gente tão pequenina
E um dia a todos meus netos
Mostrarei sítios secretos
Onde cresceu minha sina.

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