segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Presta atenção" (8)


A mesa do café oscila com todas as vibrações
De vozes aleatórias que fogem das soluções
“Quando há patrões o povo fica na ruína
Os patrões com os milhões e o povo com a sua sina”
Quem os ensina são os jornais, formatam-nos para a vida
E não reparam nos sinais de uma cultura homicida
É uma chacina de ideias quando não tiram proveito
“ Não aceito tudo o que dizem, tenho a minha própria opinião”
Então porque passas de quadro a puzzle da multidão?
Se não vens dar-me novidades junta-te às vozes que embalam
Estereótipos e preconceitos, nem três tiros as calam
Maldizem o ar que respiram, falam da vida alheia
Sabem o que nunca viram e aumentam assim a teia
É tanta fome de estupidez que comem todos do mesmo prato
É insensato porque esse pacto não vos fica nada barato
A ignorância custa uma vida mas ninguém se preocupa
Se queres mostro-te a saída, se não quiseres desocupa
São como as putas lá do centro, comidas pela merda que aparece
É a dignidade por duas de cem, e quanto mais vem mais apetece
Que te parece quando na televisão vês um conflito fatal?
“Sem stress, nada que interesse, não chegou a Portugal...”
Que banal – respiro fundo – é um salto mortal arriscado
Tens mesmo o cérebro todo ou falta-te aí um bocado?
Estes parvos vivem à toa e os melhores vão de cana
Se eu soubesse, em vez do café, tinha ficado na cama.

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