
Foi um amor perfeito. 40 anos de cumplicidade e companhia. Uma vida cheia de aventuras e conquistas. Hoje ela é doente de Alzheimer. Tem 23 sobrinhos e desde que adoeceu nem um telefonema recebeu. Só o tem a ele. Ele não a quer em instituições porque diz que ninguém lhe daria tanto amor quanto ele. Ele abdicou de tudo. Trata dela. Da casa. Da roupa. Da comida. Teve mulher-a-dias mas o dinheiro não chegava. Sai uma vez por dia. 15 minutos. Desce as escadas com o coração apertado e vai ao café da rua. Volta com o peso de ter saído e a primeira coisa que faz é ver se ela está viva. Hoje demorou mais. A companhia da jornalista fê-lo demorar e faz questão de acelerar o passo no regresso, com lágrimas nos olhos. Contou, enquanto bebida o café de mão tremida, que todos os dias olha para as fotografias. “- Que saudades! É como a canção “Oh tempo volta para trás”. Encolhe os ombros. “Não volta.”

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