
Sei que te amo, sempre o soube. Desde o momento em que nasceste, no primeiro fôlego da manhã, fiquei preso a ti como uma raiz adormecida no jardim da cidade. Sempre te amei, distraído ou apressado, sem nunca vacilar. A vontade de te ter por perto, a ânsia de te ver chegar com o melhor de mim no teu sorriso. Como eu gostava de saber de ti, de te ler os olhos por entre palavras inacabadas. Desmontar o mundo num abraço interminável.
A falta que me fazes… Tinhas em ti todo o sentido da minha vida. Como era bom nos pensar. Fazer planos e ver-te rir dos meus sonhos aluados. Tantas vezes tive medo de te perder. Passar por ti na rua e ser outro a provocar o teu sorriso. Eras tão minha. Tão perfeita. São teus os lugares por onde passavas, ficaste neles como as pedras da calçada. Guardaram a tua magia para me afagarem nestes dias tão ausentes de ti.
Trabalho o dobro, penso metade. Entro em casa cabisbaixo, exausto de tanta saudade. Sento-me no sofá e fecho os olhos só para te ver melhor.
A janela da cozinha dá para o largo onde te conheci. Faço um chá de mão tremida e sento-me dolorosamente no lugar que era só teu. O largo está tão vazio de nós. Vejo o meu reflexo no vidro da janela. Levaste tudo de mim. Essa porta que fechaste sugou-me a vida inteira.

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