Se me amas, estás doente porque não sou nada. Por favor, despe-me e olha para mim. Enternecido. Não passes sem mim para além daquela porta. Olha-me enquanto me aqueces o chá.
- Não vás! Sopra… está quente.
Sopra até eu conseguir beber. Quero que me veja bebê-lo. Não vás. A porta bate.
- Sim, estou bem.
- Não, hoje não chorei.
E desligo com a pressa de que perceba e se sinta culpado. Só queria encostar-me a um canto e chorar tão alto que me ouvisse e viesse ter comigo. Me pegasse ao colo e me beijasse a testa. Só queria agarrar-me às suas pernas e encharcar-lhe as calças. Deixar lá todos os monstros que sou.
Toca de novo o telefone. Atendo e choro fora de tempo. Pede que me acalme e diz que está a caminho. Vem depressa, como se me pudesse amar toda.
(...)
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